RCBO + AFDD: Proteção Contra Incêndio em Sistemas de Baixa Tensão

Tempo:2026,01,23

Incêndios elétricos muitas vezes não começam com um curto-circuito “violento”. Com frequência, eles surgem de forma silenciosa: um terminal de conexão solto, um trecho de cabo danificado ou um ponto fraco de isolação envelhecida. Nessas condições, a corrente pode “sair” do caminho normal e formar um arco elétrico no ar — pequeno, intermitente e difícil de perceber, mas extremamente perigoso.

Mesmo sem chamar atenção, esse arco pode gerar temperaturas locais de milhares de graus Celsius, carbonizar materiais isolantes e até inflamar materiais combustíveis próximos — enquanto um disjuntor tradicional pode permanecer sem reação.

É exatamente por isso que o AFDD (Arc Fault Detection Device) — dispositivo de detecção de falhas de arco — foi incorporado aos sistemas modernos de segurança elétrica.

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Por que o arco elétrico é tão perigoso?

Um arco elétrico não é apenas uma “faísca”. Quando ele persiste ou se repete, costuma causar três tipos de risco:

  • Temperatura extrema: suficiente para danificar a isolação de cabos e inflamar madeira, plásticos ou poeira acumulada.

  • Projeção de partículas incandescentes: pequenas partículas podem atingir cantos ocultos e iniciar combustão lentamente.

  • Caminhos carbonizados condutores: o arco deixa rastros de carbono na superfície do isolante, criando um caminho de baixa resistência que facilita novos arcos e dificulta o apagamento.

Por isso, falhas de arco são classificadas como risco de incêndio por efeito térmico, e não apenas como um evento de sobrecorrente. Autoridades de segurança elétrica também observam que disjuntores e fusíveis comuns têm baixa sensibilidade para detectar arcos em estágios iniciais — ou seja, o incêndio pode evoluir antes do disparo do sistema convencional.

Como o AFDD complementa as proteções tradicionais?

Em sistemas de distribuição de baixa tensão, duas proteções são muito comuns:

  • MCB (Miniature Circuit Breaker / Disjuntor termomagnético): excelente para sobrecarga e curto-circuito, mas sua lógica é baseada em corrente e tempo. Ele não “entende” a forma de onda típica de um arco perigoso.

  • RCD (Residual Current Device / DR): protege contra choque elétrico e falhas para terra, mas não é eficaz contra arco em série (sem fuga para terra) e pode falhar em arcos fase-neutro.

O AFDD preenche essa lacuna analisando continuamente a assinatura elétrica do circuito — ruídos em alta frequência, distorções não senoidais, descargas intermitentes etc. Quando confirma risco real, desliga o circuito imediatamente.

Tipos de falhas de arco que o AFDD combate

1) Arco em série (Series Arc)

Ocorre dentro do circuito de carga, comum em: terminais frouxos, condutores quebrados, contatos envelhecidos.
→ A corrente pode ficar abaixo do limiar de disparo do MCB, permanecendo “invisível” por longo tempo.

2) Arco em paralelo (Parallel Arc)

Entre fase e neutro (L-N) ou entre fases (L-L), geralmente por: isolação danificada, cabo esmagado, atrito em passagem de parede.
→ Pode ser explosivo e instantâneo ou intermitente, dificultando a captura por proteção convencional.

3) Arco para terra (Ground Arc)

Entre fase e PE/terra. Embora o RCD cubra parte dessas falhas, o arco frequentemente inclui componentes de alta frequência e comportamento não estável, reduzindo a confiabilidade do disparo diferencial em alguns cenários.
→ Por isso, a combinação AFDD + RCD é cada vez mais usada em projetos com alto padrão de segurança.

Normas e tendências globais que impulsionam o AFDD

Padrões internacionais (IEC)

  • Norma de produto: IEC 62606 (requisitos gerais para AFDD)

  • Recomendação de instalação: IEC 60364-4-42 sugere AFDD em locais com alto risco de incêndio, como:

    • ambientes com pessoas dormindo (residências, hotéis, casas de repouso)

    • construções com materiais combustíveis (madeira, estruturas temporárias)

    • áreas com materiais inflamáveis (oficinas, armazéns, têxtil)

    • locais com consequências graves em caso de incêndio (museus, data centers, laboratórios)

Prática na América do Norte

Nos EUA, desde os anos 2000, o National Electrical Code (NEC) exige AFCI (equivalente ao AFDD) em determinadas áreas como quartos, com ensaios e certificações baseados na UL 1699.

Onde o AFDD é mais recomendado?

O AFDD não precisa ser instalado “em todo lugar”, mas entrega valor claro em ambientes de alto risco ou alto impacto:

  • Hospedagem: hotéis, dormitórios, instituições de cuidado — risco maior à noite, tempo de reação menor.

  • Construções combustíveis: casas de madeira, módulos pré-fabricados, patrimônio histórico.

  • Ambientes com combustíveis: marcenaria, silos, armazéns de papel, têxteis.

  • Ativos críticos: arquivos, salas de servidor, acervos — perdas podem ser irreversíveis.

Seleção correta: exemplo ONCCY Electrical EAFD5-40 (RCBO + AFDD)

A ONCCY Electrical , conhecida em proteção DC para fotovoltaico, oferece também uma solução para sistemas AC: o EAFD5-40, um dispositivo integrado RCBO + AFDD (proteção diferencial + termomagnética + arco) em formato modular.

✅ Cinco proteções em um único dispositivo:

  • proteção contra falha de arco (AFDD)

  • sobrecarga e curto-circuito (MCB)

  • proteção diferencial (RCD tipo A, 30 mA)

  • proteção contra sobretensão

  • capacidade de interrupção padrão 6 kA

✅ Especificações alinhadas ao uso mais comum:

  • 1P+N, 230 V AC, 50 Hz

  • corrente nominal até 40 A

  • curvas B/C disponíveis

  • instalação em trilho DIN, design compacto

✅ Recursos “amigáveis ao projeto”:

  • janela clara de status

  • orientação de torque/ligação definida

  • opção de expansão com SPD modular para reduzir custo de manutenção

Boas práticas de instalação (para evitar “bom produto, mau resultado”)

  • Capricho na conexão: grande parte dos arcos começa com terminal solto. Use decapagem correta, terminais/ferrules quando aplicável e aperto no torque recomendado.

  • Divisão de circuitos: não concentre todas as cargas críticas em um único circuito com AFDD para evitar desligamento amplo por falha pontual.

  • Coordenação com proteção a montante: garanta seletividade com disjuntores a montante para evitar disparos indevidos.

  • Instalação por profissional qualificado: aplicação, testes e comissionamento devem ser feitos por eletricistas habilitados.

Perguntas frequentes (FAQ)

AFDD e AFCI são a mesma coisa?
Na essência, sim. Mudam o termo e a norma: AFDD segue IEC 62606 (internacional) e AFCI segue UL 1699 (América do Norte).

AFDD substitui RCD/DR?
Não. Eles protegem riscos diferentes. A melhor prática é usar RCBO + AFDD (pessoas + incêndio).

MCB comum protege contra arco?
Não de forma confiável. O arco em série, por exemplo, pode não atingir a corrente de disparo.

LED, fontes e inversores causam disparos falsos?
AFDDs de boa qualidade passam por testes de imunidade e conseguem diferenciar ruído normal de comutação de um arco perigoso, reduzindo disparos indevidos.

Conclusão: proteção contra incêndio começa no circuito final

Prevenção de incêndio elétrico exige método — não sorte. Implementar AFDD nos circuitos terminais de baixa tensão, principalmente em soluções integradas RCBO + AFDD como o EAFD5-40, é uma medida eficaz para eliminar riscos de incêndio por arco na origem.

Em novas obras, reformas e instalações de alto valor, adotar proteção com detecção de arco não é apenas cumprir norma — é proteger vidas, patrimônio e a continuidade operacional.


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